Canto da Sereia

Quando criança, durante uma de minhas viagens para Suarão, minha mãe me leu a história das sereias.
Lembro que fiquei perplexo com tal maldade fantasiada pelo encanto.
Fiquei tão impressionado que passei um tempo olhando para os lados para ver se não tinha nenhuma delas por perto antes de entrar no mar.

Para quem não conhece, de maneira resumida, a sereia usa de seu encanto para seduzir os marinheiros e arrastá-los para o fundo do mar.
Nossa, que loucura. Ainda bem que eram apenas contos.
Se quiserem ver mais sobre o conto, no filme Era do Gelo 4 tem uma passagem que ilustra bem.

Usei-a para explicar essa história para meu filho.
Mas hoje, refletindo sobre o mundo, nos deparamos com situações que seguem muito essa estratégia.

Pare e pense.

Nunca tomou uma decisão fundamentada pelo emocional que o encantamento ativou
e depois se viu nas profundezas do mar acompanhado por monstros?

Essa é uma estratégia muito comum, da qual temos que tomar muito cuidado.
Na filosofia, esse movimento é muito descrito para justificar a razão das intenções.

Temos o péssimo hábito de não avaliar a intenção das pessoas quando de suas abordagens, movimentos e promessas.
É aí que a sereia se faz.

O ACREDITAR NO SER HUMANO é a resposta que sempre recebo quando questiono as pessoas sobre desdobramentos fatídicos.

Eu respondo sempre.
Esse movimento é nobre e nunca devemos deixar de acreditar.
Mas existe uma pergunta importante sempre a fazer antes das decisões: o que o mundo fez desse SER HUMANO?
Quais são suas verdadeiras intenções?
Só está querendo tirar vantagem da situação ou realmente está focado no meu melhor?

Nascemos crus para o mundo. Somos feitos pelo nosso arbítrio e dos meios em que decidimos viver.
Se os valores nucleares, como integridade, ética e respeito não são bem consolidados na sua essência, somos fortes candidatos à SEREIA.

O valor que realmente pesa é entender as intenções das pessoas.
Uma coisa muito difícil, principalmente porque o ser humano está tão focado na foto
que irá postar nas redes sociais que nem presta atenção no verdadeiro valor do momento.
Perdemos a prática de agir pelo propósito.
Deixamos de olhar para o próximo como um semelhante.

O mundo está imprimindo uma dinâmica onde somos mais cobrados pelo que podemos fazer
e não por como podemos contribuir por um propósito maior.

As intenções não estão mais focadas no que podemos realizar para o mundo e sim, que vantagem ofereço na relação.
Isso porque o que mais importa é defender a oportunidade de fotos bonitas ao fato de que minhas atitudes podem estar prejudicando o próximo.

Acredito e vivo minha vida com um credo: estamos neste mundo para servir.
A minha maior realização mora na alegria do próximo.

Já fui vítima de muitas sereias mas meus valores e minha força me trazem de volta do fundo do mar.

Acredito no SER HUMANO. Mas amigo, cuidado com as SEREIAS.
Sua beleza encanta, mas suas intenções são as piores possíveis.

Espero que goste do texto e esteja de volta na próxima semana.
A dica de conteúdo de hoje é com o Luiz Felipe Pondé sobre o livro Marketing Existencial. Imperdível.

Forte abraço e sempre conte comigo.


Evandro Lopes | CEO da SLcomm
By |2021-03-17T10:54:53+00:00março 17th, 2021|Notícias|0 Comments